Amigo e ex-assessor de Temer é preso em São Paulo

PF prende José Yunes, advogado ex-assessor do presidente da República. Outro amigo de Temer, o coronel da reserva da PM João Baptista Lima, foi preso em São Paulo

O empresário José Yunes, amigo e ex-assessor do presidente Michel Temer, foi preso pela Polícia Federal no início da manhã desta quinta-feira, em São Paulo. A ordem de prisão temporária de cinco dias é do ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF). Barroso é o relator no STF do inquérito que apura se houve crimes como corrupção passiva e ativa e lavagem de dinheiro em torno da edição do decreto dos portos. No Leblon, na Zona Sul do Rio, foi presa uma mulher integrante da família Torrealba, que é herdeira do conglomerado de logística Libra, que teria sido beneficiado pelo Lei dos Portos.

Outras quatro pessoas foram presas no Rio e três em São Paulo. Temer é um dos alvos da investigação junto com o ex-assessor especial da Presidência, Rodrigo Rocha Loures, o presidente da Rodrimar, Antônio Celso Grecco, também preso nesta quinta-feira, e o diretor da Rodrimar Ricardo Mesquita, que tiveram os sigilos telefônicos quebrados. Outro amigo do presidente que foi preso é o coronel da reserva da PM João Baptista Lima. O ex-ministro da Agricultura, Wagner Rossi, é outro preso na ação da PF.

Na Avenida Delfim Moreira, um dos metros quadrados mais caros do Rio, os agentes da Polícia Federal chegaram no prédio da mulher ligada ao grupo Libra por volta das 6h. O conglomerado de logística, da família Torrealba, foi citado na delação de Lúcio Funaro como uma das empresas beneficiadas pela nova lei do setor portuário.

A Polícia Federal informou que, por determinação do STF, “não se manifestará a respeito das diligências realizadas na presente data”. A mulher

Defesa

O advogado José Luis Oliveira Lima, que defende Yunes, divulgou nota para comentar a prisão do seu cliente. “É inaceitável a prisão de um advogado com mais de 50 anos de advocacia, que sempre que intimidado ou mesmo espontaneamente compareceu à todos os atos para colaborar. Essa prisão ilegal é uma violência contra José Yunes e contra a cidadania”, escreveu.

Decreto dos Portos 

A Polícia Federal solicitou na segunda-feira (26) ao Tribunal de Contas da União (TCU), acesso a um processo em tramitação no tribunal em que foram identificados “fortes indícios de ilegalidade” em normas previstas pelo Decreto dos Portos, que foi assinado pelo presidente Michel Temer em 2017 e alterou regras do setor portuário. O pedido partiu do delegado Cleyber Malta Lopes, o condutor na PF do inquérito do Supremo Tribunal Federal (STF).

Uma das constatações do relatório do TCU é a de que o decreto dá margem para um possível beneficiamento de empresas com contratos anteriores a 1993 no setor portuário. Essa informação contraria uma das alegações apresentadas de Michel Temer, de que empresas que conseguiram concessões antes de 1993 – como, por exemplo, a Rodrimar – não poderiam ser beneficiadas.

Uma das preocupações reveladas no relatório é, devido ao decreto, que o prazo de vigência de contratos já assinados seja prorrogado além do que seria permitido pela legislação.

Procurada pela reportagem, a Rodrimar disse, por meio da assessoria de imprensa, não ter comentários a fazer sobre o relatório do TCU. A assessoria de imprensa do Planalto, contatada, ainda não respondeu.

No Supremo, o caso tramita sob relatoria do ministro Luís Roberto Barroso, que já autorizou quebra de sigilo bancário do presidente Michel Temer.

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