Alckmin elogia projeto que flexibiliza uso de agrotóxicos: ‘Lei do Remédio’

Tucano disse que um possível confronto com o PT nas eleições seria em 'um momento diferente' de 2006

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O candidato do PSDB à Presidência, GeraldoAlckmin, defendeu nesta segunda-feira o projeto, em discussão na Câmara dos Deputados, que flexibiliza a regulação de agrotóxicos. Apelido por opositores de “PLdoVeneno“, ele foi chamado por Alckmin de “Lei do remédio”. O tucano participou do encontro “Coalizão pela Construção”, evento que reúne entidades empresariais do setor de engenharia.

— Não é Lei do Veneno. É Lei do Remédio. Como os animais ficam doentes, as plantas também ficam doentes. Então, você precisa ter defensivos agrícolas para defender a planta. Precisamos de defensivos agrícolas mais modernos, que tenham efeito melhor: menos problemas para a saúde, para o meio ambiente e protejam a agricultura.

Para Alckmin, a proposta é uma forma de combater a burocracia e defender o meio-ambiente:

— O que não se pode admitir é a demora, é o cartório, porque, quando demora mais de oito anos para aprovar produto novo, está prejudicando a população, usando um produto mais caro e menos eficiente. Todo cuidado com o meio ambiente. O agricultor é o mais defensor do meio ambiente. Não à burocracia — disse Alckmin.

O projeto, que causou polêmica entre ambientalistas e ruralistas, garante autonomia ao Ministério da Agricultura para registrar novos agrotóxicos, tirando da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) o poder de veto que atualmente esses órgãos têm.

  • O texto principal foi aprovado em uma comissão especial, mas faltam ainda a análise dos destaques. Depois, irá ao plenário.

A declaração está afinada com o discurso da vice em sua chapa, senadora Ana Amélia (PP-RS), ligada ao agronegócio. Perguntado se havia escolhido Ana Amélia para tentar reconquistar um eleitorado que passou a apoiar o candidato do PSL, Jair Bolsonaro, Alckmin disse que ela vai fortalecer a chapa.

— Não é o objetivo A, B ou C, é o conjunto. É uma pessoa que vai ampliar e formar uma boa chapa — disse Alckmin.

O tucano desconversou sobre a escolha do general Hamílton Mourão para vice de Bolsonaro.

— Não conheço o general Mourão — disse.

O candidato disse que, caso enfrente um candidato do PT no segundo turno, será “num momento bem diferente”. Em 2006, Alckmin enfrentou o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva e foi derrotado. Ele ainda rebateu as críticas feitas pouco antes pela candidata da Rede, Marina Silva, que disse era preciso evitar a polarização PT e PSDB na eleição, lembrando que Marina foi filiada ao PT e ministra de Lula.

— Nunca fui do PT e nem nunca fui ministro do Lula, sempre estive em polo oposto. Não sei quem vai estar no segundo turno. Se for o PT, vamos enfrentá-lo. Aliás, já enfrentei o Lula, era outro momento, era a reeleição (dele). Estamos num momento bem diferente. O Brasil não pode ficar no marasmo — disse ele.

O tucano disse que é preciso abandonar a “cultura do ódio” e admitiu que todos os partidos, inclusive o PSDB, estão “fragmentados”. E, mais uma vez, defendeu a ampla aliança formada em torno do seu nome e prometeu combater a corrupção e aplicar a lei para todos.

— Sou candidato por uma aliança importante e de grandes partidos. Essa guerra entre eles e nós, essa divisão, esse ódio não é bom. Vamos fazer um grande esforço de conciliação. Você precisa ter uma aliança para, vencendo a eleição, poder implementá-las. Há uma distância muito grande entre o falar e o fazer — disse ele.

‘ROUBALHEIRA INACREDITÁVEL’ NO FGTS

Aplaudido, Alckmin anunciou que vai rever o uso do Fundo de Investimentos do FGTS (FI-FGTS), porque hoje haveria uma “roubalheira inacreditável” no uso dos recursos. Ele quer garantir gastos em infraestrutura básica, como moradia, com rendimento um pouco superior à inflação.

— No FI-FGTS, (houve) uma roubalheira inacreditável. Empresas superavaliadas e o trabalhador com o seu dinheirinho comprando empresa superavaliadas. A gente deve rever o FI-FGTS. Se não queremos que o governo seja controlador de empresa, por que o governo vai comprar para ser minoritário? Qual o fim disso? Quero que todo o dinheiro vá para moradia, mobilidade, infraestrutura. O dinheiro do trabalhador, do FGTS, deve manter a inflação com uma pequena remuneração. Todo dinheiro de PIS/PASEP só para saneamento básico — disse o candidato.

Ele disse ainda que vai “devolver” ao setor de infraestrutura cerca de R$ 3 bilhões do PASEP/Cofins, porque hoje os recursos são usados para manter o equilíbrio das contas públicas, mas sem explicar como isso será feito, se retornando às empresas ou simplesmente direcionando os recursos para ações nesta área.

— Vamos devolver para investimento, tudo em água e esgoto

Sobre a concentração bancária e a oferta de crédito a custos elevados, Alckmin disse que é preciso dar condições para que o setor tenha mais competitividade, com a abertura do mercado.

PRIVATIZAÇÃO DA CEF É ‘INDEFINIDA’

Na semana passada, em entrevista ao GLOBO, Alckmin havia mencionado a possibilidade de privatizar a Caixa Econômica Federal (CEF). Nesta segunda, contudo, ele demonstrou um recuo no tema.

— Nosso problema não é vender banco, Você tem estudiosos que defendem (a venda da CEF).Não temos isso claro, não há nenhuma definição — disse ele.

Alckmin defendeu a quebra do monopólio do refino, atualmente nas mãos exclusivamente da Petrobras. Para ele, um das causas da greve dos caminhoneiros é falta de competitividade no setor.

Durante sua fala, Alckmin enfatizou a necessidade de desburocratizar o Estado e acabar com interferências políticas em agências reguladoras. O tucano foi aplaudido ao defender pautas do setor empresarial.

— É a cultura do Estado se metendo em tudo. (É preciso) desburocratizar. O Estado não fica mais fraco (com privatizações). É fundamental ter agências reguladoras despartidarizadas. Não terá uma ( partidarizada) no meu governo. Governo é de quem ganhou a eleição e vai governar com os melhores quadros. Mas a agência reguladora é técnica, tem mandato. Ninguém vai investir bilhões numa concessão de 20, 30 anos se não tiver segurança jurídica. Os cargos de confiança são de quem ganhou. A agência reguladora não poder ser partidarizada — disse ele.

O GLOBO


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